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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Certezas inabaláveis


"Um homem estava a colocar flores na sepultura de um parente quando, ao seu lado, na sepultura vizinha, um chinês colocou um prato de arroz. Voltando-se para ele o homem perguntou: - Você acredita que o defunto comerá o arroz? - Sim! - respondeu o chinês...quando o seu familiar defunto vier cheirar as suas flores..."


Penso que a origem de todas as guerras ( seja entre países, facções políticas, ou mesmo no seio familiar ) está na intolerância. O pomo da discórdia reside no outro - que diverge do que pensamos. Não nos damos ao trabalho de pensar no porquê do outro se agrilhoar ao que considera justo, correto, pois nossas certezas, uma vez adquiridas, são férreas. Creio que uma das provas mais difíceis é aquela em que a Vida nos coloca exatamente do lado oposto, isto é, passamos a ser vistos, rotulados como aqueles pelos quais torcíamos o nariz...Essa é uma situação que pode nos surpreender quando, desafortunadamente, perdemos riquezas materiais, ou ficamos incapacitados devido a algum acidente ou doença grave, quando pessoas que nos são caras se desviam do nosso padrão de normalidade, quando - e isso é terrível - somos salvos por um inimigo ( leia-se aqui: o que destoa de nossos padrões de beleza, opção sexual, fortuna, cor da pele, religião etc., etc...E então nossas certezas se abalam...Passamos a não nos conhecer pela ótica do outro e a encontrar uma nova pessoa, a nós assemelhada, na figura do "inimigo"...Como pode isso? Nossa realidade é construída com bloquinhos de verdades que, ou nos são impostas ou são por nós mesmos moldadas ao longo desse aprendizado chamado Vida. Assim, para não corrermos o risco de que nosso edifício mental seja abalado ao menor sopro do lobo, com o tempo, perdemos plasticidade, enrijecemos nossas engrenagens mentais por falta de dar-lhes uma manutenção diária e eficaz: o questionar do novo, o diálogo com o diverso, o arguir do dogma... Minha proposta para hoje é que oxigenemos a água parada que se acumulou em alguns recantos de nossa mente...água essa que contamina por estar estagnada, água em que outros poderão matar - errônea e descuidadamente _ a sede de aprendizagem ao beber de nossos preconceitos, de nossas certezas inabaláveis...